O cientista político Vitor de Angelo e o economista Haroldo Corrêa Rocha são, respectivamente, o atual secretário estadual de Educação (governo Casagrande) e o ex-secretário (governo Paulo Hartung). Quanto à condução e à implantação das políticas estaduais na área, os dois mantêm algumas discordâncias. Já quando o assunto é a gestão do atual ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, eles convergem na crítica: "O MEC está à deriva", diz Haroldo.
Secretário de Educação nos últimos dois governos de Paulo Hartung (2007-2010 e 2015-2018), Haroldo continua atuando como gestor público na área: atualmente, é secretário executivo de Educação do Estado de São Paulo, no governo João Doria (PSDB). O economista avalia que o MEC está desgovernado; já o ministro, perdido no cargo.
"Do ponto de vista da gestão, o MEC está desgovernado. O ministro está perdido. Desde que ele foi anunciado, a educação brasileira está perplexa. No que depende do MEC, hoje, a educação brasileira está à deriva. Não queremos discutir fumaça. Eles estão ignorando a agenda que realmente importa e que realmente pode fazer a educação brasileira se desenvolver: formação continuada de professores, nova base nacional curricular, implementação do novo currículo. É isso que é fundamental", avalia Haroldo.
Na última segunda-feira, em conversa exclusiva com a coluna, o atual secretário de Educação do Espírito Santo, Vitor de Angelo, foi um pouco mais comedido na escolha das palavras, mas também não poupou de críticas a atual gestão do MEC, principalmente à falta de um planejamento claro até agora e à demora em iniciar ou retomar programas estratégicos para a educação básica do país:
"Já passou da hora, já passou da hora… Daqui a pouco vamos entrar em abril. Temos adiante algumas coisas muito sérias: compra de livros didáticos, o Saeb, enfim, a implementação do novo currículo do ensino médio, as escolas em tempo integral…", disse De Angelo. E prosseguiu:
"Daqui a pouco estamos em abril e não tem nada. Já percorremos um pedaço bom do primeiro ano do governo. A outra coisa é o que já existia, contratado, e aí não liberou mais. Não liberou recursos para livros, recursos para capacitação, recursos para consultores. Recursos para agendas que são específicas para este momento, agendas novas, e por mais que a gente tenha esforço e boa vontade de tomar a frente, não dá para fazer sozinho. Inclusive porque o MEC tem o papel de coordenação das políticas nacionais. Então, se não fizer… Sei lá, não consigo imaginar uma situação em que o MEC não faça. Ele tem que fazer. Tem que fazer. E vai começar a ser pressionado cada vez mais a fazer."